quarta-feira, 25 de junho de 2014

SÓ O TEU CORPO NÃO ME SATISFAZ

Só o teu corpo não me satisfaz
Eu quero mais
Eu quero sentir as tuas entranhas
Eu quero conhecer coisas estranhas
E não sentir só o teu perfume
Eu quero mais
Eu quero fungar o teu pescoço
Cheirar o teu corpo inteirinho
Sugar os teus seios com carinho
Depois de provar tua saliva gostosa
Com beijos de língua intermináveis
Só o teu corpo não me satisfaz
Eu quero mais
Eu quero te penetrar diariamente
A toda hora, enquanto aguentar a mente
Que só em ti pensa e te deseja
E que ainda é pouco pra mim
Eu quero mais
Eu quero ver o teu interior
Contar as batidas do teu coração
E saber como anda a tua emoção
Eu quero mais
Só o teu corpo não me satisfaz

‘‘BABADO’’

a porta do barraco escancarou-se
e a “nega” entrou “fula” da vida
estava arretada, muito atrevida
diferente daquela dengosa que conheço
“fumaçando” de raiva exigia de mim
contar o “babado” que soube na rua
de onde era e quem era a “perua”
que ousou se meter com seu “nego”
foi difícil explicar que era uma amiga
que eu fui alvo de alguma intriga
mas a “nega” de nada queria saber
que esse homem aqui era somente dela
e que me “esfolava” se me visse com a “cadela”
que o povo da rua achou de comentar
fiquei furioso mas tinha de aceitar
o “esperneio” da “nega” me afrontando
e pra vocês homens vou logo contando
amizade com mulher é muito arriscado
quando a “patroa” inventa de enciumar
pois esse “babado” só dar confusão

terça-feira, 24 de junho de 2014

O MUNDO PAROU DE GIRAR

O mundo parou de girar

Me dei conta disso sentado na calçada
Ultrapassando os limites do pensamento
Ninguém percebeu, somente eu nesse momento
De uma alucinação própria de mim
Onde meu cérebro controla o que quero 

Parou o mundo, acabou o vento
As nuvens desapareceram do céu
Ruídos estranhos chegam aos ouvidos
O tempo enlouqueceu e meus sentidos
Uniram-se e trataram de me acordar

De vez em quando tenho esses pensamentos
E me fazem refletir sobre o futuro

Gira, mundo, não deixe de girar
Isso é consequência da natureza
Raridade aqui com muita beleza
Além do espaço tudo é parado
Rezo por esse pensamento descontrolado

LEMBRANÇAS QUE NÃO SE APAGAM

Lentamente o meu cérebro apresenta
Entre tantas coisas algo incomum
Mesmo assim aceito, pois sou apenas um
Bem próximo de tantas pessoas
Realmente com problemas iguais ao meu
A minha frente um barracão abandonado
Nem sei como vivo assim transtornado
Com essa imagem me trazendo lembranças
Avivando-se e parecendo tão reais
Sacudindo meu corpo com tormentos demais

Quero esquecer que o tempo passou
Unir-me com uma outra realidade
Eu não consigo, vivo essa infelicidade

Na agonia das lembranças no barracão
A minha vida não consegue se renovar
O meu destino é esse, ninguém pode ajudar

Saibam que ali se foi meu grande amor
Ele me deixou sem que pudesse evitar

Aquele barracão foi palco de uma morte
Parece mentira, ali nós nos amávamos
Acidentalmente tudo teve um fim
Gelei ao vê-la esfaqueada junto a mim
Aquele crime foi perverso, me arrependo
Mesmo sabendo que não queria mais meu amor

sexta-feira, 20 de junho de 2014

UMA CERTA SENHORA DESQUITADA

U.ma manhã como outra qualquer
M.anhã de sol na orla de Boa Viagem
A.cordei tarde hoje, fiz uma bobagem
C.ama quentinha e eu despreocupado
E.ra sexta-feira, dia da madeirada
R.oncar até tarde não era o meu fraco
T.entei dormir mais, estava um caco
A noite toda não foi suficiente
Saí então para apreciar o mar
E dei de cara com uma senhora
Não a conhecia, mas ela riu pra mim
Hoje promete, entre um não e um sim
O meu desejo era conversar com ela
Respondi com um sorriso, topei firme
A vista da praia era bela e no calçadão
Dei corda para que se abrisse
E me dissesse o que realmente queria
Soube que era desquitada e sofria
Quando se sentia sozinha e triste
Uma companhia desejava, um alguém
Ispirando forte ela me confessou
Tinha me visto antes quando passou
A rondar meu ap, a me esperar
Deixando tudo acontecer naturalmente
Agora nos conhecemos amorosamente 

domingo, 15 de junho de 2014

O MISTÉRIO DAS FLORES FALANTES

“Olá, tudo bem? Como está você?”
Tive a impressão de ouvir essa saudação
Quando estava no jardim, na imaginação
De um mundo diferente, sem mentiras
Sem nada que pudesse nos dificultar
Em nossos caminhos nos deixando tristonhos
Onde pudéssemos viver os nossos sonhos
Esquecendo um pouco esse nosso mundo
Mas de onde vinha essa voz melodiosa
Que insistia em me saudar amavelmente?
No jardim não havia ninguém e eu somente
A apreciar flores tão belas e perfumadas
Ali estava envolto em meus pensamentos
Driblando os problemas pelos quais passava
Tentando afastar a angústia que em mim estava
Fiquei impressionado quando a voz chamou
Claramente o meu nome e me fez procurar
Quem de mim se apiedava, foi então que vi
As flores todas sorrindo em cada canto dali
Daquele jardim onde eu usava minha imaginação
Onde eu fugia para um mundo distante
E agora flores falantes me cumprimentavam
Viviam comigo a imaginação, me ajudavam
A ter um pouco de paz, a sentir felicidade
Que em breves momentos de uma manhã
Me faziam acreditar que falavam realmente
Um mistério que povoou a minha mente
Quando no meu jardim procurava conforto

terça-feira, 10 de junho de 2014

UM SORRISO FALSO

eu vejo apenas um sorriso
um sorriso falso que às vezes
se mistura com choro e tristeza
num lugar bem longe da beleza
do prazer de estar com a família
apreciando a natureza, vivendo em paz
eu vejo um sorriso falso
um sorriso dentro do hospital
alimentando a esperança pela vida
mesmo forçado e com lágrima contida
mesmo enfrentando tristeza sem fim
um sorriso falso no rosto
uma dor que arrasa um coração
um corpo sentindo tremenda emoção
uma vida, um desejo, talvez em vão
uma esperança restando, uma agonia
vendo a noite cair, vendo chegar o dia
vendo tamanho sofrimento de forma sombria


segunda-feira, 9 de junho de 2014

MEU QUINTAL

palco de uma beleza singular
onde a natureza mostra seu espetáculo
de uma simplicidade fora do comum
é o meu quintal, eu não conheço um
que tente se igualar a ele

nele os pássaros ficam à vontade
desfrutam do que está ao seu dispor
o sol aquece, a chuva rega com prazer
as plantas, o jardim, tudo que venha a ter
tornando o lugar agradável

meu quintal é tudo que tenho
é um lazer, é uma forma de olhar a vida
e esquecer o que existe lá fora
as mazelas, o sofrimento a gente ignora
e mergulha no mundo da fantasia

horas a fio eu consigo passar ali
no meu quintal, no meu mundo diferente
vendo borboletas em acrobacias constantes
insetos e aves que em todos os instantes
participam dessa festa monumental

quarta-feira, 4 de junho de 2014

AMOR DE IRMÃS GÊMEAS

   A manhã estava linda, o sol despontara maravilhosamente com seus raios aquecedores, mais uma vez iluminando nosso planeta e dando vida a tudo que nele existe. Sentada em um banco situado no jardim de um hospital, bastante abatida, Delma deixava descer algumas lágrimas de sofrimento, estava comovida com a doença de sua irmã gêmea, Dilma, que agonizava em um leito, apesar de todas as atenções médicas a ela dedicadas. Era uma doença que não se esperava muito pela sua recuperação segundo os médicos que a acompanhavam. Delma estava ali naquele jardim aproveitando um momento que sua irmã Dilma dormia. Estava exausta, fazia dias e noites que ali se encontrava ao lado dela para não deixá-la só, já que não havia ninguém para substituí-la. Eram duas irmãs únicas e sempre moraram sós, não tinham parentes próximos, vivendo seus 60 anos na mais perfeita união, um amor fraternal dificilmente visto. Jamais haviam se casado, nem sequer olhado para um homem nos úiltimos anos, em vista de uma decepção que passaram na vida ainda em plena juventude.
   A vida era bela, Delma e Dilma aproveitaram o máximo essa estada terrena, mesmo depois da morte de seus pais. Irmãs gêmeas sempre procuraram viver em união desfrutando da felicidade que foi interrompida quando tinham 60 anos. Uma dor súbita em uma delas e um desfecho nada agradável. Dilma passou mal e teve de ser socorrida para o hospital mais próximo. Lá chegando passaram-se algumas horas até que o médico desse o diagnóstico, o que abalou profundamente Delma. Tratava-se de uma doença que dificilmente deixaria ela com vida. O choro da irmã querida foi inevitável, o acompanhamento foi prolongado e o sofrimento demais.
   Ali naquele banco, ao lado do jardim do hospital, sentindo o perfume de algumas flores que nele existiam, Delma se mantinha calma aparentemente, mas o coração só ela sabia como suportava. Imaginava algumas vezes a irmã ali do seu lado, sorrindo e ela se perguntando o que fazia ali naquele hospital. Se enganava, dava esperanças a si própria de que tudo ia sair bem, procurava abrir um sorriso, mas voltava rapidamente para a  realidade. Em alguns momentos Delma tinha a impressão de que a irmã estava ali na sua frente, gozando de perfeita saúde, abrindo um largo sorriso e dizendo para ela: “Vamos, mana. Vamos embora daqui. Nesse lugar só tem gente doente”. Ela fazia menção de se levantar, sorria, mas “se acordava”, percebia que a realidade era outra.
   Já de volta ao quarto do hospital para ver Dilma, viu que ainda dormia. Os médicos talvez tenham aumentado a dosagem do medicamento que a fazia dormir e amenizar a sua dor, pensou. Esperou mais um pouco, mas a irmã continuava imóvel, o que a deixou intrigada e perturbada. Chamou a enfermeira, que por sua vez entrou em contato com o médico, que de imediato foi ver a paciente. Nesse momento Delma se desesperou, pois foi constatada a morte de Dilma, o que fez ela perder os sentidos e cair.

   Aquela mesma manhã linda ainda permanecia no jardim do hospital e Delma ali estava sentada no mesmo banco, aparentemente feliz. Na sua frente a sua irmã Dilma, que lhe estendeu a mão e a convidou para saírem dali, pois ali não era mais lugar para elas. As duas saíram felizes, de mãos dadas e largos sorrisos, rumo uma nova convivência, a uma nova vida.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

SUBSERVIÊNCIA

   Por mais que façamos o bem a humanidade nunca vai valorizar o nosso trabalho, pois aqueles que estão no topo do conhecimento e se acham os donos da nação, sempre vão querer nos manter subservientes aos seus caprichos.

Sucumbe o homem, ficam seus propósitos
Uma obra sua pode ficar no esquecimento
Bastou fechar os olhos, vem um falso juramento
Sempre será assim com essa humanidade
Erguerão estátuas, muitas promessas surgirão
Revivendo o seu trabalho, mas tudo em vão
Valorizam apenas a força e o poder
Icentivam-nos a sermos subservientes
Eganam a nós nos deixando crentes
Nesta vida que tudo sairá como queremos
Cai a máscara, mas aí já será tarde
Impuseram a força sem muito alarde
Acostumaram-nos a sermos passivos

APOCALIPSE

Arde o céu, ferve o mar
Pedras incandescentes desabam
O mundo em chamas, uma agonia
Chuvas de meteoros em pleno dia
Anoitecendo antes de chegada a hora
Legião de pessoas em pânico
Inevitável controle da situação
Pela lei divina nenhuma condição
Será aceita para a calmaria
Esse é o momento final da humanidade

domingo, 1 de junho de 2014

ENTERRANDO MEUS SONHOS

na praia deserta enterro meus sonhos
pois foi ali que eles nasceram
onde dois seres se conheceram
o mar azul foi sempre meu mundo
fora dele nada tinha razão de ser
minha alegria, meu viver, ali estavam
momentos felizes ali não me faltavam
até o instante quando ela foi embora
meu mundo desabou e eu fiquei triste
não sei o motivo porque isso aconteceu
toda a alegria que eu tinha desapareceu
restando apenas uma pequena esperança
de um dia ela voltar ao nosso mundo
acabando enfim com esse coma profundo
que se instalou em meu corpo
o tempo passou, não tive mais notícias
o que me fez enterrar os meus sonhos
não tinha mais sentido ficar com eles
a areia, o mar azul, o que seria deles
sem a nossa presença, sem o amor
que por muito tempo ali viveu?
não tenho resposta, quero somente chorar
e esquecer o que nunca podia esperar

A SOMBRA DE NÓS DOIS

A lua clareia a areia da praia

Sobressai uma sombra única
O luar mostra sobre a areia
Minha sombra e a sombra dela
Bendita sombra que a lua prateia
Recebendo o afago da onda que chega
Agua fresquinha numa noite bela

De nada adianta ficarmos olhando
Essa sombra abraçada sob vento brando

Nós estamos sós, apenas com a lua
Olhares perdidos na areia da praia
Sussurro palavras para minha deusa nua

Digo o que quero, ela gosta
Olho o seu corpo, é minha senhora
Imponho meu desejo com toda loucura
Saímos só depois que a lua vai embora

AMANHÃ TALVEZ, HOJE NÃO

amanhã talvez eu mude de opinião
mas hoje eu só preciso chorar
não adianta vir a mim e implorar
amanhã é outro dia, talvez eu compreenda
mas hoje não dar, não tem jeito
preciso aliviar esse meu peito

amanhã talvez eu possa ouvir alguém
mas hoje não, hoje eu preciso pensar
no que devo fazer e o que possa compensar
amanhã talvez esteja revigorado
mas hoje as forças me faltam
e as decepções sofridas me matam

EM BUSCA DO TEMPO

segundos, minutos, horas, dias se passaram
estou em busca do tempo
esse grande responsável pelos meus desacertos
os segundos me deixavam na intranquilidade
os minutos pareciam uma eternidade
horas passei em vão, dias sofrendo
esperando o tempo para dialogar
eu queria vê-lo, senti-lo e perguntar
por que se afasta tanto de mim assim
por que não se une a mim e então
podermos conviver em perfeita harmonia
me dê uma resposta, venha, marque um dia
para darmos um fim a essa minha indecisão
o tempo marca todos os destinos
varia sempre, é curto, médio e longo
passa por mim e não me deixa acompanhá-lo
faz desdém de mim, pensa que vou importuná-lo
mas não é isso que eu pretendo
pode acreditar, não é a minha intenção
eu o busco apenas para me dar atenção
e ser seu companheiro nessa jornada