segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CORAÇÃO PARTIDO

Cada instante da minha vida é de dor
O meu cérebro já não raciocina
Rir? Nunca mais terei esse prazer
A quem recorrer? A quem vou dizer
Como está o meu coração?
Aquela a quem amei se foi
O meu caso não tem mais solução

Partiu deste mundo, me deixou só
A lápide do seu túmulo tem o seu nome
Rezo por ela diante do sofrimento
Tenho pena de mim nesse momento
Imagino tudo que passei na sua presença
Doi saber que minha vida se acabou
O túmulo me espera, é a minha sentença

UMA SOMBRA NO CORREDOR

Um vulto, talvez só imaginação
Medo? Não sei mais o que é isso
A minha vida é ilusão, já não sou criação

Sozinho nesse hospital perambulo
O destino quis que assim fosse
Moribundo, percorrendo o corredor
Bastante abatido e sem esperanças
Rindo por nada, chorando pela dor
Afastado enfim do convívio social

Não vejo ninguém, só uma sombra
O meu passatempo é conversar com ela

Caminho vagarosamente pelo corredor
O meu mundo, um mundo somente meu
Relato minha vida para a sombra
Resto de vida de quem já morreu
Estranhas visões que o cérebro detecta
Dores que o velho corpo aguenta
O delírio me faz ver uma sombra
Rindo pra mim no corredor, atenta

domingo, 9 de fevereiro de 2014

VAMPIRO DO AMOR

Vagarosamente me aproximei de você
Avancei sobre seu pescoço delicado
Mordendo e beijando carinhosamente
Parecendo um sem noção, um demente
Impressionando sua presa, sugando-a
Rindo e delirando sobre esse corpo
Onde depositava todo meu desejo

De nada adiantavam suas súplicas
O meu tesão não me deixava parar

Achei-me tal qual um vampiro
Maliciosamente deixando-a louca
Ostentando volúpia, gritando, quase rouca
Rindo e satisfazendo meu prazer

S E N Z A L A

Sentados na senzala cantam

Esperançosos, os negros sorriem

Nada esperam por enquanto

Zabumbam num triste pranto

Aliviando a dor da escravidão

Levando a sério um pensamento

Acabar de vez com o sofrimento

sábado, 8 de fevereiro de 2014

PERFUME INEBRIANTE

Percorri todo teu corpo e delirei
Encontrei coisas que nem conhecia
Rumei por todos os lados, eu merecia
Fungando aqui e ali o teu perfume
Uma maneira de saciar o meu desejo
Me sentir capaz de te conhecer mais
E saber que outras mulheres não são iguais

Inebriei-me com o teu suave perfume
Nunca tinha acontecido coisa assim
Em vários momentos fugia de mim
Beirando a loucura nesse teu corpo
Rindo, delirando, sem querer parar
Indo além de onde devia chegar
Agradecendo a ti por essa oportunidade
Nada mais querendo senão o teu corpo
Te amar sentindo esse perfume
E dizer que vou ficar no costume

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

LÁGRIMAS DE SOFRIMENTO

   O mundo desabou sobre Dolores quando descobriu toda a verdade sobre Fernando. Amava-o loucamente, já estava de casamento marcado e com todos os planos de vida traçados. Chorou copiosamente em seu quarto, imaginou um monte de decisões a serem tomadas, porém não sabia se teria coragem de por em prática, se conseguiria viver sem o amor desse homem que conhecera há quase cinco anos. Por que isso fora acontecer e estragar a sua felicidade? Por que Fernando não foi capaz de assumir esse erro e lhe contar a verdade? Sua cabeça martelava com muitas outras perguntas que só maltratavam, que atrapalhavam o seu raciocínio.
   Dolores voltava do trabalho muito feliz, tinha acabado de ser promovida na empresa, já traçava planos para a sua vida, poder ajudar melhor os seus pais, que lhe davam tanto apoio e carinho. Era uma filha muito querida, a mais velha dos dois irmãos que tinha. Era a cabeça pensante da família e todas as decisões passavam pelo seu crivo, tinham muita confiança nela, pois sabia agir acertadamente. Antes de chegar em casa foi interceptada por Glória, a melhor amiga e confidente. Era Deus no céu e ela na Terra, não existindo outra que pudesse substituí-la. Glória estava tensa e Dolores logo percebeu. Depois de alguns instantes de dúvidas, sem saber como começar, um assunto muito chato teve que ser iniciado, uma conversa que deixaria Dolores aborrecida e traumatizada, logo agora prestes a se casar, destruindo assim uma felicidade que estava estampada em seu rosto. A amiga confidente pensou muito antes de tomar essa decisão, de contar a verdade para Dolores, pois sabia que ela iria sofrer muito, teria a maior decepção da sua vida, mas teria que assim agir, pois o mal seria menor com toda certeza. Glória conhecia Fernando desde o início do namoro com Dolores, tinha toda confiança nele e esperava que fosse fazer sua amiga feliz desposando-a. Porém o destino levou-a a descobrir algo vergonhoso sobre Fernando e ela não teve outra alternativa senão contar a verdade para a sua amiga de longos anos.
   Já amanhecia quando Dolores despertou com o sol batendo em seu rosto através da janela. Nem sequer jantara na noite anterior, enfurnando-se no quarto e chorando sem parar deixando seus pais bastante preocupados. Acordou imaginando que tivera um pesadelo, mas aos poucos a sua mente foi clareando e a realidade era essa, convencendo-se de que não fora um sonho ruim. As lágrimas voltaram a molhar suas faces e não teve disposição nem para ir trabalhar. Já passava das oito da manhã quando decidiu se levantar e tomar um banho. Triste e calada tomou o café da manhã com os pais que não imaginavam o que teria acontecido, pois ela nada revelou quando chegou da rua, indo direto para o quarto onde verteu lágrimas de sofrimento. Sentiu vontade de morrer para acabar de vez com essa situação, mas se conteve, tinha que dar uma oportunidade para ela mesma, enfim a vida tinha que continuar.
   À tarde Dolores foi trabalhar mesmo sem a mínima disposição, mesmo com o seu lado emocional enfraquecido. Recebeu apoio dos seus companheiros de trabalho, uma acolhida digna para uma criatura na sua situação. Manteve a calma e conseguiu desenvolver as suas atividades, mesmo não alcançando um rendimento favorável, porém compreendido por todos.
   Fernando estava decepcionado, talvez até triste, quem sabe até arrependido, sabendo que perdeu o amor de uma pessoa maravilhosa por não ter levado a sério esse compromisso, se portando como um cafajeste. Mesmo que se arrependesse seria tarde demais, o mal já estava feito, não podia voltar atrás. Glória o havia flagrado no fórum casando-se com uma moça da alta sociedade, numa cerimônia quase secreta, jogando fora o amor que era depositado nele por Dolores. O interesse financeiro falou mais alto, igualando-se ao seu caráter que mudou repentinamente. O seu plano era esquecer Dolores, uma jovem batalhadora e dedicada no seio familiar, sumir de vez da sua vida e ir viver em outra cidade. Porém o destino quis que Glória fosse casualmente ao fórum e descobrisse o seu plano irresponsável.

   Passaram-se alguns dias e Dolores conseguiu dar um novo rumo a sua vida, mesmo não esquecendo Fernando, sabendo no entanto que ele era uma carta fora do baralho. O apoio moral de Glória foi fundamental para o equilíbrio emocional de Dolores.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

SONHO ASSUSTADOR

   O frio intenso da noite não permitiu que Charles deixasse a cabana. O calor vindo da lareira era confortante e uma dose de vinho acalmava o velho caçador, já acostumado com aquele ambiente solitário em meio a floresta, um pouco distante da cidade. Ele nada temia até então, tinha coragem suficiente para enfrentar um animal bravo se ali aparecesse. Mas a situação mudou e Charles sentiu medo pela primeira vez. Não queria acreditar, mas sentia medo. Medo de que? Nem ele próprio sabia e estava ali naquela cabana, sozinho, no calor da lareira e sorvendo um bom vinho.    Um barulho lá fora assustou o nosso personagem que engoliu de vez o resto da bebida que estava no copo. Pegou a garrafa que estava sobre a mesa e encheu novamente o copo tomando mais um trago.
   Horas antes o caçador se meteu na floresta e conseguiu carne animal para o seu consumo. Voltou e preparou a suculenta carne, assando e preparando o jantar. Tomou algumas doses de vinho e sentou-se frente a lareira. Lá fora o calor era insuportável e agora esse frio intenso depois que ele se recolheu. Morava nessa cabana há anos e nunca tinha visto uma situação assim. Que frio mais chato, pensou.
   O barulho fora da cabana atormentava Charles que se sentiu impotente. Onde estava a sua coragem? O que estava acontecendo afinal? A porta começou a ser forçada e o medo dele aumentou. Uma forte pancada derrubou a porta e Charles gritou ao ver uma fera diante dele. Não tinha forma definida, o animal ameaçador, parecendo mais um gorila misturado com um tigre. Na entrada da cabana ficou fitando o caçador com fúria, que parado ficou sem nada poder fazer. Tentou pegar o copo de vinho mas o mesmo caiu das mãos quebrando-se no chão. O animal estranho avançou para Charles que não mais conseguia gritar. Tornara-se uma presa fácil pronta para ser devorada. O sangue gelou e as mãos trêmulas procuraram cobrir o rosto. Pronto, era o fim, a morte o aguardava. De olhos fechados apenas esperou o desfecho do lance implorando para que fosse rápido, mas nada aconteceu e o silêncio tomou conta do ambiente. Alguns segundos se passaram e ele resolveu abrir os olhos, deparando-se com a porta da cabana intacta e a lareira emitindo um calor tremendo. Percebeu então Charles que havia adormecido após as doses de vinho, tendo esse sonho assustador.