segunda-feira, 8 de julho de 2013

FUMAÇA

   Eu caminhava na praia, deserta como nunca havia visto, parecia até que estava me esperando, aguardando que eu lhe contasse todos os meus segredos, que revelasse todas as minhas tristezas. E era isso mesmo que eu estava tentando fazer, me desfazer de todos os problemas que me afligiam, que me torturavam como se uma navalha afiada estivesse me roçando o corpo, como se alguém estivesse me pondo no canto da parede. Eu sofria, isso é verdade, eu não sabia o que fazer com tantos problemas, estava à procura de soluções e não encontrava, resolvendo ir até a praia, talvez encontrar alguém para desabafar, mesmo que fosse um estranho, mas ela estava vazia, eu não via ninguém com quem pudesse compartilhar a minha dor, expor meus desejos, ouvir um conselho qualquer. Vazia, a praia estava vazia, apenas o barulho das ondas, a espuma branca chegando aos meus pés descalços, o sussurro do vento no meu ouvido como se quisesse me dizer algo. A água fria da manhã até me aliviavam o cansaço dos pés, o sol ainda fraco me presenteava com um clima agradável.
   Tempos atrás eu era diferente, tinha planos para o futuro, tinha um trabalho digno, uma família que me amava, amigos que me valorizavam, mas tudo isso foi perdido, não foi considerado por mim, que preferi conhecer o mundo, viver ao meu modo, conhecer novas pessoas. Esse mundo não era apropriado para mim, que só vim a entender isso anos depois, quando a infelicidade me fez uma visita, quando a doença apareceu, quando toda a minha vida parecia estar por um fio. Reconheço que foi muito difícil, que perdi o que mais queria, estando agora à procura de uma solução para combater esse mal.

   O mar estava lindo, em tom esverdeado, com ondas se quebrando na areia, uma beleza sensacional que só eu estava a admirar nessa praia deserta. Foi nesse momento que tive um impulso quando olhava para o céu azul sem nuvens, foi nesse exato momento que imaginei todos os meus problemas, juntei tudo e joguei para o alto para se transformarem em fumaça, deixando o meu corpo livre, com o pensamento elevado ao Criador do Universo. Após esse desejo forte, que saiu de mim como que impulsionado por uma força estranha, eu me senti mais aliviado, respirava com um certo prazer, sentia minha alma flutuando naquele local só meu. Uma onda de prazer tomou conta de mim, me senti inesperadamente outra pessoa, foi como se uma presença confortante estivesse do meu lado, me mostrando o lado bom da vida, o que resolvi aproveitar, “ouvir” esse conselho. Continuei caminhando na praia, que agora não estava mais deserta, pois vi algumas pessoas pra lá e pra cá, me fazendo crer que elas estavam ali e eu não havia percebido, como se me tivessem dado uma chance de ficar só a pedir a Deus para acabar o meu sofrimento. E ele acabou mesmo, pois agora eu estava caminhando em paz, rumo a uma nova vida. Olhei instintivamente para o céu e vi uma fumaça meio escura se dissipando no ar, meus olhos pareciam querer verterem lágrimas que consegui segurar por momentos, mas foi impossível evitar que elas se misturassem com as águas do mar.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

MEUS TEMPOS NO COLÉGIO MODERNO


    Recentemente escrevi uma crônica falando das lembranças de uma garota que estudou comigo no Colégio Moderno, situado no bairro de Afogados, no Recife. Seu nome era Zélia, uma loira que chamava a atenção dos colegas de classe. Além dela, outros alunos se destacaram, deixaram saudades, principalmente pelas suas belezas interiores.
   Zélia foi uma pessoa que marcou muito, mas temos também outros exemplos, como a Nadir, o Otávio, o Mário, além de outros que no momento não lembro seus nomes, apenas enfatizando que esses meus tempos de estudante no Colégio Moderno foram muito bons, foi uma época que marcou muito a minha vida.

   Se por acaso algum leitor tenha conhecimento desse fato, que talvez tenha estudado nesse colégio, gostaria que se manifestasse, que emitisse um comentário a respeito.

APRENDIZADO NOTA DEZ


   Eu era ainda uma criança quando estudava no “Instituto Amazonas”, no bairro do Pina, junto com mais quatro irmãos. Era um estabelecimento  de ensino particular muito rígido, o fardamento era cáqui, camisa de mangas compridas atacadas nos punhos e na gola e os sapatos e meias pretos. As meninas usavam uma saia plissada abaixo dos joelhos e uma blusa de mangas compridas. Ali se aprendia de verdade e quando algum aluno não dava a lição certa, ia para casa, almoçava e voltava, passando a tarde estudando. Isso para mim era um horror, um verdadeiro pesadelo que me fazia chorar.
   Os professores eram apenas a dona do imóvel, onde também era residência, e o seu filho, por sinal bons mestres, só que muito rigorosos, o que nos metia muito medo. A prova final era realizada num domingo, o que eu achava muito extravagante.
   Foi um tempo bom, de um aprendizado nota dez. O “Instituto Amazonas” funcionava junto  com o “Instituto América”, em outro bairro, da mesma família.


terça-feira, 2 de julho de 2013

LEMBRANÇAS DE ZÉLIA

Fotos de belas loiras
   Estava me lembrando agora de Zélia, uma garota bonita, loira, muito cortejada na sala do Colégio Moderno onde eu estudava pela manhã. Eu podia ter uns dezesseis ou dezessete anos, era bastante jovem ainda e mesmo assim não tinha interesse por ela, pois naquela época eu não havia despertado para essa ideia de querer namorar sério, era um rapaz até inibido e gostava apenas de curtir a mocidade com os demais colegas da classe.

   Zélia era muito admirada pelos rapazes, eu a via como uma princesa, como uma garota muito dada com os companheiros do colégio, inteligente e amiga de todos, simplesmente pelo fato de ser bonita e charmosa. Hoje, depois de longos anos eu ainda me lembro dela, da sua imagem, do seu jeito especial de ser.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SONHO DE HORROR

   O sol se escondeu atrás de uma nuvem e uma escuridão começou a tomar conta do lugar, me deixando surpreso vendo toda aquela claridade sumindo aos poucos. Era cedo ainda, eu descansava após o almoço no terraço da casa, me lembro que o sol estava forte, dava pra ver ao longe os morros e a vegetação verde da cidade do interior, uma imagem linda que poucos conhecem por se encontrarem na cidade grande, numa selva de pedra.
   Antes desse evento inesperado, uns cinco minutos antes, eu havia pensado na minha vida futura, no que represento no presente e no que o passado significa para mim. Muitas ideias vieram a mente, meu cérebro começou a imaginar coisas boas e até coisas absurdas, como eu sobrevoando aquela paisagem, como se asas tivesse ou algum outro mecanismo que me fizesse plainar no espaço, onde eu me via em paz comigo mesmo.

   A escuridão já estava quase completa, meu coração estava batendo aceleradamente e eu sentia medo, porém um medo aceitável, que me deixava com uma certa tranquilidade. Vi das nuvens descer uma imagem grotesca, de tamanho descomunal, bem devagar, até atingir o solo. Não sei explicar exatamente a sua forma, porém se assemelhava a um dragão e ele vinha em minha direção como se tivesse me escolhido para ser a sua vítima. Que mal eu fiz para ser devorado por esse monstro foi a pergunta que fiz para mim mesmo, já que não tinha a quem recorrer. Acordei subitamente como se alguém tivesse me tirado daquela cena, daquele palco de horror. E realmente foi isso que aconteceu, a minha mulher bateu no meu ombro e falou: “acorda que a baba tá descendo pelo canto da boca”. 

GRITO DO BRASIL

  • Manifestante senta em frente a barreira policial depois dos protestos próximo ao Maracanã
   O grito do povo nas ruas clama por justiça, nada mais é do que a reivindicação dos seus direitos. Os brasileiros sofridos, maltratados ao longo de décadas por políticos irresponsáveis, ladrões do nosso dinheiro arrecadado através de impostos, resolveram dar um basta a essa situação, resolveram mostrar a força que tem indo às ruas em manifestações, exigindo dignidade, respeito, serviços públicos de qualidade e que possam atender aos anseios de toda a sociedade.

   Esse grito conseguiu chamar a atenção do governo, que se fazia de surdo, que teimava em apenas usufruir com mordomias e roubalheiras, em detrimento dos interesses e dos direitos dos cidadãos, pessoas honestas e trabalhadoras. Um grito que foi ouvido em outros países e que fez o governo recuar, atender em parte o que é uma obrigação sua como gestor da coisa pública. Deus queira que tudo saia bem sem precisar que sangue seja derramado.

terça-feira, 25 de junho de 2013

MÚSICA IMAGINÁRIA


    Bastava o tempo estar bom, o sol brilhando, para que eu saísse um pouco para o que chamava de “caminhar”, porque andar sem rumo, sem um roteiro pré-estabelecido, não é caminhar. Bastava ter qualquer tipo de problema no lar para sair à toa, andar por qualquer lugar, para refrescar a mente. E foi numa dessas “caminhadas” que me aconteceu algo curioso. Passava por uma ampla praça quando me deparei com uma criatura do sexo feminino, maltrapilha, aparentemente uma moradora de rua, que dançava ao ritmo de uma música imaginária, o que me fez parar e ficar observando. Era um ritmo corporal que se houvesse música seria perfeito. No entanto eu me encarreguei de “providenciar a música”, porém apenas eu fingia ouvir e sintonizar a dança da desconhecida mulher com a “música” que “tocava” na minha imaginação. Ficou perfeito, a dança e a “música imaginária” batiam bem e foram alguns minutos de curtição mental.
   Os dias se passaram e sempre que eu saía para andar e passava por aquela praça, lá estava ela, a moradora de rua com a sua demonstração de dança, sempre em sintonia com a “música” que “tocava” em minha mente, um espetáculo que me divertia, me fazia passar o tempo. Eu ficava até decepcionado quando não a via na praça, essa minha “dançarina” preferida, que nem imaginava que sua dança tinha “música” para completá-la.

   Após algum tempo não mais a vi e nem soube do seu paradeiro, talvez tenha ido dançar sem música em outras paragens, servir de boba para as pessoas, só não foi para mim porque resolvi completar o seu trabalho, sem me importar se eu também era considerado um louco.