segunda-feira, 23 de abril de 2012

O QUE EU PENSO

☆ Às vezes fico imaginando como a ingratidão me assusta, como existem pessoas que não são dignas de uma boa amizade, preferindo se esconderem atrás de uma falsa imagem. O mundo está cheio de criaturas assim, sem conceitos formados, sem uma ...estrutura capaz de se transformar, presas a algo que talvez nem elas saibam. É triste dizer que todos os dias cruzo com gente dessa estirpe e tenho de dar um bom dia ou outro cumprimento qualquer.

PODEM ME CHAMAR DE CHATO, DE MORALISTA, DE METIDO, PODEM XINGAR À VONTADE, EU NÃO LIGO NÃO! EU DIGO O QUE PENSO, ESCREVO O QUE ME VEM NA CABEÇA. BOA NOITE PRÁ VCS, MEUS QUERIDOS COMPANHEIROS DO FACE!

★☆★ Palavras são levadas pelo vento, ações sempre ficam no pensamento. A vida é uma caixinha de surpresa, não nos é permitido abrí-la imediatamente. Quando abrimos, no decorrer do tempo, vamos observando que nem sempre era o que desejávamos, pois as mutações ocorrem com o seu conteúdo, apesar de fazermos todo o possível para lapidarmos aquilo que achamos necessário. ☆★☆

☆ Estou saturado de tanta hipocrisia, de tantas manifestações de falso apoio ou de apoio pela metade. Pessoas "por fora" de determinadas situações apresentam suas opiniões achando que estão certas e no entanto "chutam fora do gol", pois só sabe onde o calo aperta quem calça o sapato apertado. Entendo que cada um sabe o rumo que deve tomar, doa em quem doer. ☆

Calem a boca aqueles que só sabem emitir opiniões que apenas lhes satisfazem, sem terem o prévio conhecimento da realidade dos fatos. É muito fácil aconselhar, porém é muito difícil compreender a dor alheia, já que não a sentimos na pele.

◆ Amar a Deus e amar o próximo é realmente uma grande necessidade do ser humano, é a coisa mais importante da vida. Sem esse ideal o homem é incapaz de viver em comunidade, é falho, é indigno de constituir uma família. Melhor viver só, isolado da sociedade ou ao lado de pessoas do seu nível.

♥ Se as pessoas compreendessem o significado do amor o mundo não seria tão desigual. O amor e o respeito andam por caminhos diferentes quando deveriam andar juntos.

☆ Onde anda dona Perfeição? Alguém sabe dizer? Muita gente não se lembra mais dela, coitadinha! Tão boazinha, tão bonitinha, mas tão escondidinha!!!

Hoje vc pode estar chorando por uma coisa que no futuro pode ser uma felicidade. As lágrimas de hoje podem estar machucando seu coração, mas amanhã essas mesmas lágrimas podem estar consolando ele.


★★★ ➜ Quando a gente muda o tempo muda. MENTIRA! O tempo é imutável, as pessoas é que são cretinas querendo mudar o tempo. O mundo também não muda, pois essas mesmas pessoas cretinas querem também mudar o mundo.

A poesia é bela, é a fantasia da alma, é um mundo que criamos inicialmente para nós mesmos e depois transmitimos para as pessoas. Poucos entendem o verdadeiro significado de nossos pensamentos retratados em frases que emocionam. Estou ainda aprendendo sobre esse mundo, escrevendo ao meu modo. Com a sua opinião, quem sabe eu possa aprender mais e, talvez, lhe transmitir algo que desconheça?


Eu sinto que alguma coisa vai mudar na minha vida. Quando a gente toma uma decisão, o que importa é que tudo corra bem. Eu tomei uma decisão, pois entendo que ninguém deve ficar parado vendo a banda passar. Numa luta desigual vence o mais sensato, vence o que soube escolher sua arma para lutar.

terça-feira, 17 de abril de 2012

NÃO ME PERGUNTE


Não me pergunte
Por que descem lágrimas dos meus olhos
Molhando meu rosto com tanta emoção
Deixando meu semblante ora feliz ora não
Não saberei dizer a razão da minha felicidade
Nem por que muitas vezes estou triste
Uma coisa ou outra, nada disso existe
Não me pergunte
Por que às vezes me sinto tão só
Mesmo vendo tanta gente do meu lado
Minha tristeza pode ter começado no passado
Posso estar vivendo uma vida em vão
Mas tudo tem um recomeço, posso imaginar
É só sentir o sabor da vida, poder sonhar

sábado, 14 de abril de 2012

LIGIA, EXEMPLO DE AMOR

    
    O avião desceu suavemente no aeroporto de Salvador. Da mirante de uma área superior Nélio ficou observando a aeronave taxiar na pista até chegar ao local de desembarque de passageiros. Sabia que dele desceria sua irmã Lígia, que tanto admirava, apesar de não ser filha de sua mãe, pois seu pai casara-se novamente com a morte da primeira esposa, a mãe de Lígia. Correu até a saída de passageiros para encontrar a irmã. Ao vê-la abraçou-a carinhosamente, já que fazia anos que não a via, por conta de desavenças familiares. Lágrimas nos olhos dela demonstravam a sua tristeza nessa viagem, vinda do Recife para o enterro de seu pai que falecera devido a uma enfermidade grave.
    Na sua cidade, Lígia já estava muito preocupada com o agravamento da doença de seu pai e com a notícia do falecimento comprou imediatamente uma passagem para Salvador com a finalidade de dar o último adeus a quem lhe dera a vida, apesar de furtar-se em várias ocasiões de apoiá-la, satisfazendo assim a vontade de sua segunda esposa, que nunca gostou dela.
    Chegaram a uma residência próxima da casa onde morava a viúva, já que Lígia não poderia ficar na casa da madrasta. Ali morava uma família que gostava de Nélio e que se prontificou a hospedar sua irmã pelo tempo que ela quisesse. Apesar de separados por muitos anos, os irmãos pareciam nunca terem estado longe um do outro, pois conversavam apenas por telefone, tendo eles uma grande afeição mútua. Quando Nélio deixou o Recife junto com o pai, tinha apenas dez anos e Lígia catorze, ocasião em que permaneceu no Recife, indo morar com uma tia. Fazia mais de dez anos que a mãe dela falecera e a convivência com a madrasta era insuportável, mas Lígia levava a vida numa boa sem dar atenção às provocações da madrasta.
    Lígia ficou imaginando o dia em que sua mãe faleceu, vítima de complicações pulmonares, doença que a penalizou por vários anos. O pai, em pouco tempo, arranjou outra mulher, com quem se casou três meses depois. Lúcia era uma mulher arrogante e que não foi muito com Lígia. Dessa união nasceu Nélio, que conviveu com ela até o dia de Lúcia, não mais querendo a companhia dela, resolveu morar em Salvador, sua cidade natal. Os irmãos se gostavam e continuaram se comunicando por telefone.
    No velório de seu pai Lígia chorava baixinho, ao lado do irmão Nélio, que não a largava, despertando ciúmes em Lúcia que não a tolerava. Após o sepultamento Nélio pediu para que Lígia ficasse por mais uns dias, pois sentia bastante saudade dela depois da separação. Ela ficou por mais dois dias, porém tinha de voltar para o Recife para continuar seus estudos.
    Na hora da partida Nélio estava ao lado de sua irmã no aeroporto e a abraçou com carinho, prometendo voltar a vê-la. Agora sem seu pai voltaria para o convívio com a tia e ele continuaria com a mãe em Salvador.
    Passaram-se alguns anos sem se ver, apenas se comunicando por telefone. Nélio era sempre criticado pela mãe quando conversava com a irmã, mas ele não dava atenção, apenas respeitando-a como filho.
    Certo dia Lígia recebeu uma ligação do irmão comunicando que a mãe se encontrava bastante doente, sendo internada em estado grave. Era uma doença que necessitava de transfusão de sangue e estava difícil conseguir o tipo sanguíneo que a salvaria. Ela procurou saber o tipo e por ironia do destino era o mesmo tipo seu. Imediatamente se prontificou a viajar para Salvador e se deslocou até o hospital onde Lúcia estava internada. Foram feitos os procedimentos de praxe e o sangue de Lígia foi doado para Lúcia, completando uma quantidade mínima que existia no hospital. A madrasta, ao ver Lígia, ficou espantada e chorou bastante.
    No dia seguinte Lígia estava ao lado da madrasta no leito do hospital, confortando-a e desejando a sua melhora. Nélio ficou bastante emocionado com essa situação, vendo sua mãe sendo salva pelo sangue da enteada que tanto desprezara. Ao saber que Lúcia já se encontrava fora de perigo, ela beijou carinhosamente a testa daquela que nunca soube odiar e se despediu, prometendo voltar para vê-la recuperada.
    Um mês depois Lígia recebeu uma visita inesperada. Era Lúcia que chegava em sua residência, onde morava com a tia. Abraçou-a carinhosamente e convidou-a para morar junto com o irmão, um grande desejo dele. Poucos dias depois essa nova família, unida e feliz, comemoravam a nova vida em Salvador.

AH! SAUDADE

na parede da sala um retrato
no coração amargurado uma saudade
há tempo não sei o que é felicidade
volta e meia me deparo com a tristeza
me atormenta e não sai do meu lado
quer me ver fora de mim, descontrolado
sabe da minha fraqueza e se aproveita
fazendo com que nunca esqueça esse amor
que partiu para o além deixando a dor
em um coração apaixonado, em frangalhos
resta agora dribrar a saudade e viver
esperar o tempo passar e esquecer
ah! saudade que sufoca e me faz chorar!
queria poder te dominar, jogar no chão
ah! saudade, por que não sai do meu coração?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

MAYRA, AMOR E ARREPENDIMENTO

    Mayra passou as mãos nos cabelos diante do espelho e viu uma realidade nua e crua, ensaiou um ar de melancolia mas percebeu que era em vão. O tempo foi o grande responsável por essa transformação na sua vida, por essa imagem que agora parece querer assustá-la, mostrando algumas mechas brancas tão naturais em seus cabelos. Tentou chorar, fez biquinho, mas imaginou que não iria resolver nada, apenas iria deixá-la chateada.  Se conteve e saiu da frente do espelho. Olhou o relógio na parede, passava das cinco da tarde, estava próximo de Lucas chegar, a estas horas ele já devia estar a caminho.
    Longe dali Átila manuseava alguns papéis no conforto do seu escritório. Parou um instante e olhou pela janela, percebendo que a noite já caía. Pegou o telefone e fez uma ligação. Falou algumas palavras de carinho mostrando um sorriso quase infantil.
    Lucas abriu a porta da casa e viu que a esposa falava com alguém ao telefone, mesmo assim abriu um sorriso e aproximou-se dela, beijando sua testa. Mayra ficou um pouco sem graça, pois não imaginava que aquele telefone fosse tocar naquela hora. Se despediu rapidamente e desligou.
    Durante o jantar Lucas perguntou com quem ela falava, isso na maior simplicidade. Ela fitou o marido com um largo sorriso e disse que uma amiga a havia convidado para um chá no dia seguinte à tarde, mas que ia pensar se iria. Casados há mais de dez anos esse casal vivia uma vida tranqüila, sem filhos e apenas ele trabalhando como funcionário público.
    No dia seguinte Lucas saiu para o trabalho, beijando Mayra e avisando que não viria para o almoço em casa por conta de uma reunião importante. Ela o acompanhou sorrindo até o portão, lamentando ter que almoçar sozinha. Entrou e foi ler alguma coisa, folheando algumas revistas sentada no sofá. Alguns minutos depois o telefone tocou, fazendo-a atender prontamente. Era Átila que lhe sussurrou algumas doces palavras, deixando-a sorridente. Esticou-se no sofá e ficou a conversar com ele, que estava na frente da casa e vira seu marido saindo para o trabalho. Perguntou se poderia entrar e ela meio receosa autorizou. Discretamente ele entrou e envolveu-a num abraço caloroso, seguido de um longo beijo. Pouco tempo depois estavam na cama trocando carícias, bem diferentes das de Lucas, um momento realmente de grande prazer para Mayra, que aceitava essa situação sabendo que estava errada, que tinha alguém que dava amor, não um amor tão apaixonante, cheio de doçuras, como as palavras de Átila, mas um amor cheio de respeito e de  responsabilidade, mas ela preferia um amor meio selvagem, às escondidas, com palavras doces.
    Na reunião Lucas conversava com várias pessoas no auditório da repartição, em meio aos chefes e diretores, sendo aplaudido em diversas ocasiões quando suas opiniões eram aceitas. Pouco mais das treze horas alguns diretores decidiram sair para um almoço em um restaurante da cidade, após a reunião, entre eles Lucas.
    Em casa Mayra foi convidada por Átila para saírem, aproveitarem a tarde, já que o marido dela não viria para o almoço. Ela não preparara nada já que a intenção dele era levá-la para um restaurante, onde tomariam um drink e almoçariam. Mayra mandou ele aguardar na sala enquanto se arrumaria. Dentro de um vestido elegante se olhou no espelho, passou as mãos nos cabelos e sorriu. Ficou séria repentinamente quando viu as mechas brancas sendo alisadas pelos seus dedos macios. Sentiu vontade de chorar, pensou no tempo que passou, no marido que estava no trabalho, na idade que estava avançando, pensou em nunca ter tido filhos e no desejo reprimido de tê-los. Agora não teve jeito, as lágrimas rolaram por suas faces, estava se sentindo uma inútil, uma pessoa falsa. Era uma traidora que não merecia perdão, imaginou que se Lucas soubesse alguma coisa a respeito não saberia o que poderia acontecer. Decidiu por fim a tudo isso, a todo esse sofrimento, afinal ela era uma mulher casada, tinha um marido amoroso que não merecia ser tratado dessa forma. Sentiu remorso e caiu em prantos, se sentindo a pior das mulheres, uma vagabunda. Tirou o vestido bonito e vestiu uma roupa simples, enxugou as lágrimas e despachou Átila quase o enxotando, que ficou sem entender nada. Não queria mais vê-lo, nunca mais, pediu que a esquecesse pois não voltariam mais a se verem. Tomou coragem, queria ser agora aquela mulher carinhosa para o marido, lhe dedicar todo amor que for possível. Talvez fosse esse o motivo dessa união não apresentar o resultado que ela esperava, fugindo então para outros braços em busca de algo que poderia estar ali perto dela, bem juntinho. Lucas sempre foi amoroso, se não dava o que ela queria talvez a culpa não fosse só dele, ela poderia colaborar, saber cativá-lo e era isso que faria daqui prá frente. Passaria uma borracha no seu passado, seria uma nova mulher, dedicada única e exclusivamente para seu marido, reconhecendo que esse amor poderia ser eterno, poderia proporcionar momentos de felicidades. Valeria a pena mudar esse comportamento vulgar, essa atitude mesquinha.
    Lucas chegou já à noite, cansado, se auto avaliando como um funcionário exemplar que fora elogiado pelos seus superiores. Recebeu um beijo carinhoso de sua esposa amada, que o abraçou com bastante emoção, como concordando com tudo que dizia, deixando-o surpreso. Seu sorriso era bastante nítido, sua euforia era grande e seu amor por Mayra era tudo que necessitava para ser um homem feliz. A noite foi maravilhosa para ambos e dois corpos nus se abraçaram varando a madrugada.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A VINGANÇA DE NILO


    Nilo parou diante de uma vitrine. Através do vidro podia ver as pessoas no interior da loja. Um sujeito bem vestido lhe chamou a atenção, trouxe um lembrança para sua memória já tão congestionada por milhões de informações as mais diversas, tal qual um computador de última geração. Não restava dúvida de que aquela era a pessoa que tanto procurara, que tanto se empenhou para localizá-la e agora o destino lhe dava de presente. Estava ali, na sua frente, pronto para ser justiçado pelo mal que causou a sua família.
    A casa era enorme, comportava uma família composta de sete pessoas. Nilo tinha seus dezesseis anos e morava com os pais, além de três irmãos e um cunhado, companheiro de uma irmã sua. Seu cunhado, Hélio, era o tipo do sujeito aproveitador que conseguiu conquistar o coração de sua irmã Nélia, a mais velha dos irmãos. Brigavam com freqüência, brigas que eram amenizadas com a interferência de seu pai, que tolerava aquele homem em seu lar para que a filha ficasse em suas vistas, temendo um mal maior se ela fosse morar fora. Nélia gostava muito do companheiro, apesar das constantes discussões, sendo ele uma pessoa bastante violenta e apreciador da vida boêmia.
    Certo dia Hélio chegou em casa e não encontrou Nélia, que tinha ido a casa de uma amiga. Mais ninguém estava na residência e ele esperou a mulher bastante irritado. Nilo chegara da rua e tinha se dirigido para seu quarto, onde se dedicou aos estudos. O cunhado não percebeu sua chegada e em poucos minutos Nélia chegou, quando teve início uma discussão que terminou em agressão por parte do truculento Hélio, cobrando ciúmes dela. Em dado momento ele empurrou-a com força, indo ela projetar-se ao chão, batendo com a cabeça, fazendo o sangue jorrar em abundância. Com os gritos Nilo saiu do quarto e viu aquela cena degradante, percebendo que o cunhado fugia apressado, após pegar alguns pertences. Correu para pedir ajuda, conseguindo socorrer a irmã que infelizmente não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer antes de chegar ao hospital. Os pais ficaram bastante abalados, ficando sob o efeito de calmantes. Hélio tomou sumiço e nunca mais foi visto.
    Diante daquela figura, daquele homem truculento que tirou a vida de sua irmã, Nilo tremeu, não teve condições de imaginar o que poderia fazer naquele momento. Cinco anos se passaram deixando uma angústia na família, principalmente nele, que jurara um dia encontrá-lo e esse dia chegou. Aguardou ele sair, disfarçando-se, e o seguiu. Andou alguns quarteirões e entrou em um hotel. Fingindo ser um amigo, Nilo procurou saber o quarto e para lá se dirigiu. Simulando ser uma entrega de encomenda do hotel, bateu na porta. De óculos escuros e boné não foi reconhecido, entrando no quarto. Fingiu que tirava algo de uma bolsa que carregava e manuseou alguns papéis, depositando tudo sobre uma mesinha, onde apanhou um cinzeiro de vidro e desferiu rapidamente um golpe na cabeça de seu ex-cunhado, tendo o mesmo perdido os sentidos. Amarou e amordaçou Hélio, aguardando que ele recobrasse a memória. Quando tornou a si Hélio, ainda sentindo dores, reconheceu Nilo, que afirmou taxativamente que iria eliminá-lo. Colocou uma substância corrosiva em seus olhos, que já andava sempre com ela, pois sabia que não teria coragem de matar aquele homem. Em seguida soltou-o e se retirou do local, antes avisando que se dissesse alguma coisa a respeito, ele o denunciaria como o assassino de Nélia, já que a polícia nunca o havia localizado.
    Os funcionários do hotel foram chamados por ele, que pediu ajuda, não explicando o que tinha havido, receoso de ser preso, pois sabia que era um foragido da lei.
    Do lado de fora Nilo observava a movimentação no hotel e viu que uma ambulância levou Hélio para um hospital. Seguiu até lá e informou a um policial a situação daquele paciente, que foi logo identificado e custodiado, aguardando ser medicado para depois prestar contas a justiça.

OLHANDO A VIDA

   
    Eu olho a vida como se olha o relógio, vendo o tempo passar como os ponteiros de horas e minutos numa trajetória interminável.
    A música é suave, não tem voz, apenas instrumentos não barulhentos para não perturbarem meus ouvidos sensíveis.
    Rego essa vida com umas boas chuveiradas diariamente para afastarem as mazelas que dela sempre tentam tirar proveito.
    Eu olho a vida de uma maneira pessoal, como todo mundo faz, querendo que as coisas mudem, que o verdadeiro sentido dela aflore e que contamine os demais seres humanos.
    Na rua o barulho dos veículos me incomoda, o vai e vem das pessoas me deixa confuso, afinal não sei o que elas querem. Parecem autômatos sendo manipulados por controle remoto.
    Eu olho a vida como as batidas do meu coração, muitas vezes aceleradas, fugindo do ritmo normal, por conta do estresse, esse mal tão natural e que ninguém percebe que está sendo vítima dele.
    Ouço a minha música, preferencialmente não muito alta, pois quem mais precisa dela é minha alma. Ela é quem sente a emoção e o prazer, transmitindo para o meu cérebro, que curte pacientemente.