sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CENAS DE CIÚME

um rosto colado no outro com ternura
a música suave envolvendo o ambiente
o casal dançava em estado inconsciente
lá fora o mundo simplesmente não existia

respiração ofegante, leves toques de lábios
uma noite em todos os sentidos agradável
que poderia continuar, ser interminável
para que esse amor se tornasse eterno

um vulto adentrou o imenso salão
estava tenso, certo do que ali procurava
olhou ao redor, o que queria ali estava
aquela a quem tanto amou e o destino afastou

não conseguiu se conter, partiu para ela
ainda a queria, ela estava no seu coração
mas não entendia, queria reatar a união
que por motivos diversos teve que acabar

emoção à flor da pele, uma ira incontida
lágrimas e desespero, início de confusão
ela não mais o queria e tinha toda razão
encontrou enfim alguém que lhe deu amor

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O VELHO CAMPONÊS

O velho camponês descansava triste no barranco
Lá embaixo passava o rio de águas escuras
Era ali que procurava curar as suas tonturas
Mal que o chateava, porém não se importava tanto
O cachimbo inseparável era a sua distração
Já vivera tantos anos, se reclamasse não tinha razão

Acostumou-se a viver sozinho, se acomodou
Imaginava muitas coisas mas nada acontecia
Apreciava suas terras até quando anoitecia
Conhecia poucas pessoas, vivia mais isolado
Tinha algo no passado que não queria esquecer
Uma bela donzela sem seu amor preferiu morrer

Esse era o motivo da sua grande insatisfação
Preferia tudo, menos perder aquela donzela
Tão meiga e linda, de uma beleza singela
Que por uma briga boba veio a separação
Imaginando perdê-lo preferiu parar o coração

Hoje o velho camponês vive amargurado
Resolveu não mais amar, ninguém lhe dar consolo
Chorando e tocando a vida se acha um tolo
Seu refúgio é a barreira junto ao rio
Onde fica a pensar na sua falta de sorte
O alívio agora só no dia da sua morte

domingo, 12 de fevereiro de 2012

E S P E R A

o avião pousou suavemente na pista
meu coração palpitou, suspirei então
não pude disfarçar a minha emoção
temia que viesse até a desfalecer
luzes, sons e pessoas circulando
eu no saguão do aeroporto esperando
como pude deixar isto acontecer?
nada poderá dela me afastar agora
sou seu homem, seu amor, ela minha senhora
corro depressa para a saída de passageiros
lágrimas nos olhos, força no coração
quero abraçá-la agora, pedir seu perdão
saber que tudo vai ser como antes
sei que a culpa me abalou profundamente
mas essa espera me deixa bem contente
me faz entender que a vida deve continuar
uma espera de anos que me fez sofrer
agora é uma espera boa, me faz reviver

sábado, 11 de fevereiro de 2012

AS LUZES DA CIDADE

as luzes da cidade se apagaram
afinal o dia já estava chegando
vinha de mansinho, céu clareando

tomei o último gole de cerveja
ao meu redor não tinha mais ninguém
gastei com bebida até o último vintém

as luzes da cidade trazem recordação
me deixam alegre em certo momento
sorvendo a bebida esqueço o sofrimento

o sol é quem me leva para casa
aos tropeços vou seguindo pela rua
volto à noite acompanhado pela lua


AGUACEIRO

a noite anterior tinha sido de muito calor
a brisa quente indicava algo anormal
todos queriam uma temperatura ideal
respirar um ar puro e agradável
.
nessa manhã o tempo começou a mudar
nuvens negras no horizonte surgiram
o vento sacudiu árvores, folhas caíram
e o que se esperava aconteceu
.
o dia escureceu, o azul do céu sumiu
uma chuva fina então começou a cair
as pessoas se recolheram, ninguém quis sair
os mais velhos se ajoelharam para rezar
.
o aguaceiro molhou a terra impiedosamente
tão seca e esquecida parecia agradecer
deixando a água até longe correr
formando lagos e até cachoeiras
.
foi um aguaceiro que durou horas
deixou a terra pronta para se plantar
depois de grande estiada a coisa vai mudar
acabou a seca, o povo então festeja

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SANGUE E AREIA


O vento soprava forte vindo do mar
Na praia Malu estava sentada semi-nua
Brincava com areia naquela noite de lua
Queria esquecer agora toda sua tristeza

  Em confronto com o amor ali se refugiara
  Estava magoada, não sabia o que fazer
  Abandonada, viu toda alegria desaparecer
  Achava que no mundo não teria mais lugar

Portava um punhal, tinha tomado uma decisão
Cravou no peito, viu seu sangue jorrar
Manchou a areia, teve forças para chorar
Em suas mãos sangue e areia se juntaram

  Mundo cruel com marcas de ingratidão
  Pessoas que não compreendem a vida
  Que não reconhecem uma luta perdida
  São os donos de si fora da realidade

sábado, 4 de fevereiro de 2012

C A R N A V A L - II

É pleno carnaval, a folia apenas começou
Todos riem, é festa, um mundo de alegria
O arlequim cumprimenta a colombina na orgia
Um abraço, um beijo, coisas naturais
Que passam despercebidos na multidão
Pode ser dia, pode ser noite, é ilusão

Não é momento para tristeza agora
É hora de aplaudir o palhaço, de sonhar
Cheirar lança-perfume, é hora de dançar
De imaginar que o mundo não existe
O carnaval dura pouco mas sinto felicidade
Na minha cabeça parece uma eternidade

As fantasias me fascinam, me enloquecem
Me embriago com prazer, não só com bebida
Esqueço os problemas, a vida sofrida
Parece até que esqueço quem eu sou
Sou o samba e o frevo, sou a nostalgia
Depois é somente saudade, acaba a alegria